segunda-feira, 12 de junho de 2017

Shibumi: do emaranhado à linha

[para alcançar o shibumi] – “Significa que se deve ultrapassar o conhecimento e alcançar a simplicidade.” – p. 82.


 

A simplicidade só vem a partir da profunda compreensão dos fatores (ou aspectos) que atuam sobre determinado algo. Só é possível simplificar aquilo que se compreendeu, ou seja, que já se assimilou. Para alcançar o Shibumi "se deve ultrapassar o conhecimento e alcançar a simplicidade.". Parece claro que "simplicidade" seja o produto do processo de sobrepujar o conhecimento, significando atingir um estado de fina adequação técnico-prático-reflexiva em que a "obra", quer seja material ou psicológica, seja exata. 
Com "exatidão", quero dizer completa e essencial, que diga plenamente o que tem a dizer, com sobriedade e naturalidade, sem excesso de nenhuma espécie.


Com "ultrapassar o conhecimento", penso que, após obter domínio teórico-prático-reflexivo profundo, entra-se no campo do intuitivo. A partir daí, ocorre uma fluência natural, sem esforço intelectual (pois já o ultrapassamos), que leva o indivíduo em estado de Shibumi a "produzir" o que só poderia: sinceridade. Sinceridade aqui é a real manifestação pessoal na obra.

A simplicidade obtida, muito longe de ser medíocre, é o substrato purificado de um complexo processo interno-externo.

 Referência bibliográfica:

TREVANIAN, Shibumi; Trad. Wilma Freitas Ronald de Carvalho. São Paulo: Círculo do Livro S.A, 1979.




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