segunda-feira, 12 de junho de 2017

Shibumi: um caminho pessoal



“Em busca do shibumi, ele poderia sobressair de forma invisível, sem atrair a atenção e a vingança das massas opressivas.” – p. 82.


Aqui encontramos a orientação para a não exposição do próprio nivel de desenvolvimento (e do processo de busca) ao público. "Em busca do shibumi" sobressai-se "de forma invísivel", não atrai atenção nem vingança, que creio eu, seja algo de inveja e tentativa de cerceamento por uma "cultura" hegemônica.

A evolução pessoal é fator particular do indivíduo, e não é motivo para orgulho e ostentação. Talvez, no máximo, possa ser compartilhado com pessoas que estejam em suas próprias buscas do shibumi. A "invisibilidade" dá condições de não sofrer interferências externas intencionalmente danosas.


Por "massas opressivas" entendo serem as representadas por pessoas comuns, não dedicadas à elevação pessoal, que não buscam a excelência na modéstia. É a mediocridade mundana. É culto ao parecer sem ser. É a massa dos que lutam contra a purificação, a evolução e o aperfeiçoamento espiritual, moral, prático e intelectual (intelectual no caminho da sabedoria, e não do conhecimento frio).

Levando em conta que shibumi é algo essencialmente pessoal, não necessita (ou não deve) ser apregoado. Na arte, o não dever não é aceitável, pois o artista deve mostrar seu trabalho para que a arte aconteça. E ela só acontece com a participação do fruidor. Uma obra não revelada é inexistente, por mais perfeita que seja. A arte deve ser compartilhada. Portanto, penso que shibumi, no campo das artes, diz respeito à autonomia  do artista nas suas escolhas, inclinações e busca do sentido de sua própria arte.


Referência bibliográfica:

TREVANIAN, Shibumi; Trad. Wilma Freitas Ronald de Carvalho. São Paulo: Círculo do Livro S.A, 1979.

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