Continuando a análise:
“Não se conquista o shibumi. Descobre-se.” – p. 81.
O Shibumi já está dentro de si; é a potencialidade pessoal. Portanto, não é possível conquistar o que já se possui; o que é possível é tomar conhecimento dessa posse e passar a fazer uso dela. É dito que o Shibumi "não se conquista": isso porque conquistar subentende obter algo que está fora, que, inclusive, pode ser objeto de disputa entre pelo menos duas pessoas. Mas isso não é possível acontecer aqui, já que é algo particular, intrínseco a cada pessoa. Na busca pelo Shibumi, o processo idôneo é o do descobrimento (por meio do estudo, da prática, da reflexão e da dedicação).
Mas como é de se esperar, para descobrir, é preciso estar empenhado numa busca de aquisição e/ou aperfeiçoamento de alguma habilidade e/ou de alguma "ciência". Um elevado nível de dedicação empregado nessa busca despertará o potencial peculiar do indivíduo em relação à atividade escolhida.
O Shibumi "descobre-se.". Vejamos, descobrir significa tirar aquilo que cobre, revelar o que está escondido. O que, porém, pode ocultar o Shibumi do indivíduo? Ora, tudo aquilo que o estudo, a prática, a reflexão e a dedicação eliminam. O estudo remove o manto do desconhecimento; a prática, o da inabilidade; a reflexão, o da superficialidade; e a dedicação, o da falta de propósito e do desleixo.
Após o descobrimento, segue-se no caminho da maestria, que é a profundidade na teoria, na prática e na reflexão, mas tudo isso com o componente fundamental da idiossincrasia; é a plenitude na arte, é o estado de Shibumi.
Referência bibliográfica:
TREVANIAN, Shibumi; Trad. Wilma Freitas Ronald de Carvalho. São Paulo: Círculo do Livro S.A, 1979.
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